Projetos de Pesquisa  -  Estudos Linguísticos

 

 

 

Discurso, produção de sentidos e práticas de leitura

Andréa Rodrigues

A partir dos conceitos de formação discursiva, texto, discurso, leitura, inseridos na proposta teórica da Análise do Discurso, o projeto discute o funcionamento discursivo de textos da mídia, documentos oficiais, leis, cartazes, filmes, fotografias, que remetam de alguma forma a questões ligadas à educação como um todo, havendo espaço para subtemas como ensino e usos da língua, políticas públicas, formas de significação do professor, do aluno, da escola, etc.

Língua Estrangeira para crianças: identidades, ensino-aprendizagem, formação docente 

Apoiada em autores das áreas de formação docente (Gimenez, Cristóvão, Furtuoso, Santana, 2008; Fernández, 2008; Miller, 2009,2010, 2013; Celani, 2010; inter alia), para o ensino de língua estrangeira para crianças (LEC) (Rocha, 2006, 2008; Tonelli, 2007), identidade (Hall, 2003; Woodward, 2003; Moita Lopes, 2002) e da Prática Exploratória (Allwright, 2009; Allwright e Hanks, 2009; Miller, 2009, 2010), volto-me para estudo de LEC. Tal movimento envolve a problematização, discussão e encaminhamentos em relação à metodologia de ensino para essa faixa etária, visto que enfatiza-se a construção de uma abordagem que seja sensível ao contexto sócio-histórico cultural dos pequenos aprendizes. Dessa forma, estende-se a questões relativas ao planejamento de atividades de ensino-aprendizagem, seleção e/ou e material didático. Consequentemente, a pesquisa igualmente abre espaço para a investigação da formação do docente para atuar nesse nível de ensino, a qual carece de um olhar mais acurado, uma vez que, no momento, não se observa a existência de disciplinas específicas nas grades curriculares dos cursos de Letras no Brasil (Santos e Benedetti, 2009) para a discussão e práticas em LEC

Isabel C. R. Moraes Bezerra

Aprendizagens, letramentos e identidades: o agir discursivo para fazer parte de uma comunidade de prática

Apoiada na perspectiva ética e inclusiva de reflexão e pesquisa apontada pela Prática Exploratória (Allwright e Hanks, 2009; Miller 2013), volto o olhar sobre o letramento e a formação inicial e continuada do professor de línguas (materna e inglesa), entendendo-os como um processo de ingresso em uma comunidade de prática (Wenger [1998], 2008; Eckert e MaConnell-Ginett, [1997] 2010) na qual os professores em formação vivenciam mais intensamente o processo de letramento em língua materna e inglesa iniciado em suas práticas discentes anteriores. Na verdade, problematizo o ingresso nessa comunidade e a construção identitária profissional, ao analisar a socioconstrução discursiva de conhecimentos não apenas em aulas que ministro deste idioma, como também em reuniões com bolsistas de iniciação científica, iniciação à docência e orientandos de mestrado. Ao tentar estabelecer uma escuta mais acurada às questões trazidas pelos participantes nessas interações, proponho um espaço reflexivo com eles, entendidos aqui como praticantes exploratórios (em oposição à figura do ?sujeito de pesquisa? ou do ?informante?) que privilegie o ?trabalhar para entender? como o sofrimento ou o prazer, as dúvidas, as inquietações e as indagações que perpassam o processo de aprender a usar socialmente uma língua (a língua materna/portuguesa ou a língua inglesa), o processo de ser/tornar-se docente de línguas, questões pertinentes à seleção e uso de livros didáticos ou ainda a produção de material para o ensino de línguas. Some-se ainda a questão crucial de refletir sobre o processo de letrar-se academicamente tendo em vista os objetivos formativos de cada um e as relações de poder imbricadas em práticas de letramento na academia. Ao me permitir o contato com tais questões objetivo, da mesma forma, entender como este processo me afeta enquanto professora, formadora e pesquisadora.

Sobre professor e pesquisador: o papel do afeto na mão dupla das narrativas de experiências docentes

Com esta pesquisa, além de voltar o foco para a formação docente inicial e continuada, busco abarcar a formação do pesquisador. Ademais, focando ainda a interação e as narrativas em especial, busco mapear o processo sociodiscursivo de construção de nossos saberes sobre pesquisar, ensinar e aprender a língua inglesa bem como o de construção e performance de nossas identidades profissionais, ao mesmo tempo em que verifico possíveis instâncias de ressignificação das práticas de docência e de pesquisa. Para tanto, além de utilizar-me de teorizações advindas dos estudos de narrativas (Labov, 1972; Bastos, 2005; Moita Lopes, 2002; Linde, 1993, 2009), pretendo lançar mão de teorizações que envolvem questões de afeto a partir de uma perspectiva de socioconstrução discursiva por entender que os processos de construção de conhecimento e de reflexão profissionais não acontecem de forma estanque no nível cognitivo, sempre envolvendo a afetividade, conforme atestam Barcelos (2010), Silva e Lima (2009). Espero contribuir para a ampliação do escopo teórico em relação às seguintes instâncias: [a] Prática Exploratória ? ao propiciar um aprofundamento da significação de alguns construtos que serão foco da reflexão, quais sejam: ?desenvolvimento mútuo?, ?agência?, ?inclusão?; [b] estudos sobre construção de conhecimentos ? por aprofundar o olhar à relação que se estabelece entre cognição e afeto; [a] estudos da narrativa ? por aprofundar a contribuição para o entendimento acerca de como narrativizamos as experiências pessoais de forma a construir o sentido de quem somos, de como aprendemos, etc. nos contextos institucionais em que transitamos. Finalmente, esta pesquisa é desenvolvida no sentido de mobilizar os sentidos dos praticantes envolvidos para, ao estranharem o que fazem, perceberem uns aos outros e a riqueza da experiência humana, bem como outros caminhos a serem trilhados através da investigação sistemática.

Justiça Social, Letramentos e Ecologia de Saberes na Formação de professores de línguas

Justiça social, Letramentos e Ecologia de Saberes na Formação de Professores de Línguas

Marcia Lisbôa Costa de Oliveira

O projeto de pesquisa “Justiça Social, Letramentos e Ecologia de Saberes na Formação de professores de línguas” está ligado ao grupo de pesquisa "Formação de Professores, linguagens e Justiça Social (PROFJUS - FFP/UERJ). O problema central da pesquisa é: como construir, em um contexto acadêmico, uma perspectiva pós-abissal que articule e combine diferentes tipos de conhecimentos, culturas e práticas na formação de professores de línguas, contribuindo para a emergência de uma sociedade mais justa e mais digna?  Tomamos como ponto de partida as concepções de Boaventura Souza Santos para problematizar a hierarquização de corpos e de conhecimentos, pensando a relação entre justiça cognitiva e justiça social, a partir da reflexão acerca das linhas abissais que “dividem a realidade social em dois universos distintos: o “deste lado da linha” e o “do outro lado da linha” (SANTOS, 2007, p. 72). Essas linhas representam os abismos intransponíveis que se colocam entre o que/quem é considerado é relevante e o que/ quem é inexistente. Territórios, culturas e indivíduos posicionados “do outro lado da linha” são, assim, invisibilizados, num processo epistemicida. Tecemos essa perspectiva à Formação de Professores para a Justiça Social -FPJS, que, além do combate às desigualdades educacionais, compromete-se com a educação de docentes que lutem contra as “injustiças que subsistem nas sociedades para além do contexto das escolas - no acesso à habitação, à alimentação, à saúde, aos transportes, a um trabalho digno que proporcione um salário de subsistência, etc. (ZEICHNER In: MOREIRA e ZEICHNER, 2014, p.135). Para a reflexão acerca das relações entre concepções de escrita, construção de sentidos e escolarização, recorremos aos estudos contemporâneos sobre os letramentos (GEE, 2008; STREET, 2014, BARTON E HAMILTON,1998, KALANTZIS e COPE, 2012), que estimulam “um repensar sobre o desenho curricular/ as políticas curriculares, a relação escola-sociedade, a relação professor-aluno, a linguagem em suas modalidades e a linguagem em suas comunidades de prática” (MONTE MÓR In: OLIVEIRA, 2019, p. 14). Dessa forma, o projeto desenvolve uma investigação de caráter teórico-metodológico situada em contextos de desigualdade social e busca situar suas ações e reflexões em contextos nos quais circulam sujeitos posicionados “do outro lado da linha” e pauta-se pelo respeito à pluralidade de saberes e de formas de existir e compreender o mundo, tendo em vista a defesa da educação pública democrática, dialógica, solidária e equitativa. Trata-se, portanto, de um projeto que visa “preparar professores que contribuam para um mundo mais igual e justo” (ZEICHNER in: MOREIRA & ZEICHNER, 2014, p. 138), a partir da discussão conceitual e do desenvolvimento de práticas transformadoras. Dessa forma, a investigação se constrói como uma rede de pesquisas-ação socialmente críticas na qual a agenda da justiça social vincula-se à ecologia de saberes para proporcionar, na formação de professores de línguas, o desenvolvimento de “ferramentas analíticas necessárias para entender a opressão e sua própria socialização em sistemas opressivos, desenvolvendo agência e capacidade para interromper e mudar padrões ou comportamentos opressivos em si mesmas e nas instituições e comunidades em que participam” (BELL, 2007, p. 2).

Para um giro de(s)colonial na Formação de Professores de Línguas e Literaturas: teoria, crítica e experiência

O projeto, desenvolvido no âmbito do Programa PROCIÊCIA - DEPESQ/UERJ, propõe o estudo de teorias discussões desenvolvidas no campo dos estudos de(s)coloniais, que discutem os impactos da colonização nas estruturas sociais, nos modos de pensar e de fazer ciência. Essa abordagem entende que o processo colonial impacta o modo como povos e culturas produzem sentidos e como agem diante de diferenças nas formas de ser e saber. Assim, produzem a superioridade de determinadas formas de ser e de determinados saberes e, pelo exercício do poder geram exclusões e opressões. Os intelectuais ligados aos estudos decoloniais propõem uma mudança no modo como o pensamento colonial pensa o conhecimento, que chamam de ?giro epistêmico?. Nessa mudança, apontam a necessidade de deixarmos de pensar a partir do norte ? entendido não somente em termos geográficos, mas sobretudo em termos de uma associação entre poder e conhecimento, para pensar a partir de nossa posição ao sul. Isso implica desconstruir muitos dos conceitos que internalizamos. Com base nessas ideias, pretendemos desenvolver experiências de formação com licenciandos em Letras da FFP/UERJ, usando a Pesquisa-Ação Socialmente Crítica (TRIPP, 1990) como metodologia e partindo do ponto de vista de(s)colonial..

Afixoides de base espacial em construções gramaticais do português: neoanálise e analogização

Mariangela Rios de Oliveira

Este projeto dá sequência a uma série de estudos sobre pronomes locativos do português, produzidos no contexto do Grupo de Estudos Discurso & Gramática - UFF. Voltamo-nos agora para o levantamento, a descrição e a análise interpretativa dos afixoides espaciais, circunscritos no contexto do presente projeto aos pronomes locativos mais usados no português do Brasil (aqui, aí, ali, lá, cá), na formação de duas construções gramaticais - [VLoc]md e [para lá de X]gi. A partir de pesquisa empírica histórica, o intento é captar neoanálises sucessivas, ou micropassos, que derivaram na esquematização desses pareamentos, em termos de construcionalização gramatical, com base na taxonomia de Diewald (2002; 2006) e Diewald e Smirnova (2012), que distinguem o seguinte cline contextual: contextos típicos (originais), atípicos ou críticos (transitórios, emergentes) e de isolamento (convencionalizados, gramaticalizados), culminando com a paradigmatização, ou seja, com a inserção da nova construção em categoria gramatical específica, como novo nó na rede construcional da língua. Esse cline tem a ver ainda com a derivação objetividade > subjetividade > intersubjetividade, conforme proposto em Traugott e Dasher (2005). No que concerne aos procedimentos de pesquisa, este projeto compatibiliza metodologia qualitativa e quantitativa, focalizando tanto os ambientes pragmático-discursivos motivadores da mudança gramatical em que as construções em estudo são instanciadas, quanto as propriedades de sentido e forma de suas subpartes, notadamente os afixoides espaciais, na instauração do elo de correspondência simbólica interno às mesmas (CROFT, 2001), além de se ater a índices de frequência (BYBEE, 2010; 2015), atestadores ou não da produtividade das referidas construções. Como a pesquisa assume viés histórico, os textos selecionados privilegiam a modalidade escrita da língua, procurando controlar os dados, nas distintas sincronias pesquisadas, em termos da sequência textual em que são articulados, de acordo com Bonini (2005) e Marcuschi (2002; 2008). De outra parte, textos falados da fase contemporânea do português também poderão ser usados, principalmente no caso de mudanças mais recentes ou inovadoras na língua, não atestadas em documentos antigos, como hipotetizamos ser o caso de [para lá de X]gi.

Língua portuguesa em perspectiva construcional - categorias gramaticais e conexão de orações

Com base nos pressupostos da Linguística Funcional Centrada no Uso (doravante LFCU), o projeto visa a levantar, descrever e analisar a rede construcional que forma a gramática do português a partir da seleção de determinados membros de categorias específicas da rede, assim referidas: a) marcadores discursivos; b) intensificadores de grau; c) construções paratáticas, hipotáticas e correlatas; d) elementos relacionais ? operadores argumentativos e conectores; e) elementos e componentes da transitivização oracional; f) preposições simples e complexas, relatores circunstanciais e advérbios preposicionados. A investigação tem perspectiva pancrônica, pois conjuga a abordagem histórica, com foco nos micropassos que levam a mudanças construcionais e construcionalizações na trajetória da língua, na perspectiva de Traugott e Trousdale (2013), à abordagem sincrônica, com o exame dos usos contemporâneos do PB, demonstrando a gradiência e a variabilidade que as categorias linguísticas pesquisadas exibem, como destacado em Bybee (2010; 2015). Além da atividade de análise empírica, o projeto também visa a efetuar uma rediscussão teórica, com vistas ao refinamento de alguns pressupostos da LFCU, de modo a adequar teoria e empiria, ajustando princípios e termos a fim de melhor darem conta das instâncias dos usos linguísticos com base em construções do português. Nessa perspectiva, o projeto se alinha com a pesquisa de ponta que vem sendo praticada nessa área científica, em nível internacional. A partir do desenvolvimento do projeto, pretende-se ainda contribuir, com seus resultados, para a atividade de ensino de língua materna no Brasil na Educação Básica. Para tanto, enfatizam-se: a) o caráter gradiente e variável das categorias gramaticais; b) o viés construcional que marca os usos linguísticos; c) os processos cognitivos de domínio geral que atuam na produção e na recepção de textos; d) a estreita vinculação e motivação entre estratégias pragmático-discursivas e e) a instanciação de categorias gramaticais da língua.

Análise descritiva dos aspectos linguísticos da escrita de surdos em PBL2 ? interfaces entre textualidade, uso e cognição no estado de interlíngua

Roberto de Freitas Junior

A presente pesquisa, ligada ao Núcleo de Estudos sobre Interlíngua e Surdez (NEIS/UFRJ) tem por objetivo a construção de um banco de dados (Corpus NEIS) com textos escritos em diferentes gêneros discursivos produzidos por surdos, para levantamento e análise de fenômenos linguísticos de escrita relacionados à aquisição de português escrito como L2. Ainda, é objetivo do grupo, a partir das pesquisas desenvolvidas, a futura elaboração de propostas de materiais didáticos para ensino de português para surdos. Projeto vinculado ao Programa de Pós Graduação em Leras e Linguística da UERJ/FFP (PPLIN) CNPq: dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/4481596787655919.

Victoria Wilson

Emoções, face e (im)polidez em (dis)curso: tensões e conflitos em interações virtuais (Projeto 1)

A pesquisa pretende discutir aspectos do fenômeno da cordialidade no Brasil, revitalizando os estudos de Buarque de Holanda (1936) e outros mais recentesm em associação aos processos de elaboração de face definidos por Goffman (1967). O intuito é verificar a produtividade do fenômeno em termos da constituição de um self cordial, no Brasil, como elemento importante, segundo Rocha (1998), na definição de nossos padrões de convívio. Em uma sociedade cordial, como é considerada a brasileira, o princípio que a regula fundamenta-se na neutralização do confronto (ou nos meios de evitá-lo), por isso reiteramos comportamentos do tipo “deixa-disso” ou do jeitinho brasileiro. No entanto, estudos têm mostrado o quanto a cordialidade compreende as duas facetas: ao lado da bondade e da simpatia, convivem o ódio e a violência. É esta ambivalência que estrutura as nossas relações sociais como bem demonstraram da Matta (1979) e Madeira e Veloso (1999) e Wilson (2014) e são fruto de nosso comportamento personalista.  A questão que se coloca é a seguinte: existirá ainda uma lógica afetiva do homem cordial? E, caso exista, como se configura? Ou seja, como as compreensões cotidianas de entender o mundo são incorporadas ao discurso, alterando ou potencializando antigos padrões de comportamento e convívio em nossos modos de agir? Uma das hipóteses deste estudo reside no fato de que nas interações em que diferentes pontos de vista sobre a situação política brasileira se manifestam, a polaridade se fez presente, revelando traços mais personalistas e menos racionais, portanto, mais assentados na esfera da cordialidade – lugar das emoções – do que na esfera da polidez – espaço de atitudes racionais e mais impessoais de convívio e preservação das faces. Diante dessa polaridade, potencializa-se a (im)polidez como outro aspecto ou traço relacionado ao self cordial. A análise, de cunho interpretativista, focará mensagens no whatsapp e comentários do facebook a princípio.

Sentidos do letramento acadêmico no contexto de uma Faculdade de formação de professores (Projeto 2)

A pesquisa no campo do letramento acadêmico tem-me direcionado para um maior aprofundamento da compreensão do dialogismo bakhtiniano e dos modos de ser letrado na perspectiva dos Novos Estudos do Letramento. As dificuldades dos alunos em escrever textos acadêmicos não se traduzem  apenas pela falta de familiaridade com os gêneros que circulam na academia, mas expandem-se para as sutilezas do estilo, para as diferentes  linguagens sociais e esferas do conhecimento especializado que demandam aprendizagem específica e inserção no universo acadêmico. Assim, conceitos como o de comunidades de prática (WENGER, 1991) tornam-se relevantes para o entendimento das especificidades do contexto em termos das interações que se estabelecem entre os participantes destas comunidades em questão. Como circulam os saberes, como são negociados nas relações professor-aluno, professor/pesquisador-aluno? Como os alunos se sentem quando enfrentam o desafio de escrever projetos e monografias na graduação como trabalhos de conclusão de curso? Qual o impacto e a importância desses trabalhos para eles, por exemplo?  Como lidar com as diferentes experiências subjetivas com a linguagem e com o(s) conhecimento(s) que se manifestam nesses textos? Inserido no âmbito da “Linguística Aplicada Indisciplinar”, na dimensão dialógica bakhtiniana, esse trabalho visa recuperar algumas dimensões (política, ética e estética) para problematizar a “funcionalidade” e as experiências da escrita acadêmica, compreendendo-a como prática social e linguagem especializada, para tratá-la como atividade humana, social e subjetiva, que envolve capturas e rupturas, mas que possa ser legitimada em suas diferenças (ZAVALA, 2010) e “ser percebida como pontos de vista sobre o mundo” (BAKHTIN, 1993, p. 99). Por isso, repensar o paradigma dominante de fazer ciência em direção ao paradigma emergente proposto por Boaventura de Sousa Santos tem contribuído para a revisão dos meus próprios paradigmas como professora, professora pesquisadora no contexto de uma faculdade de formação de professores, espaço em que os saberes são construídos tendo como foco a formação docente. Tal escopo é refletido nos projetos e monografias e monografias de graduação (TCC), material de análise da pesquisa. A orientação teórcio-metodológica baseia-se no conceito de heterociência de Bakhtin (2003), na etnografia discursiva proposta por  Corrêa (2001) em diálogo com a Linguística Aplicada híbrida e mestiça tal como proposta por Moita Lopes (2006)